terça-feira, 3 de maio de 2016
terça-feira, 1 de abril de 2014
Gessagem - Antes, Durante ou Após a Calagem ?
O gesso agrícola por possuir cálcio (Ca) não significa que ele tenha características de neutralizar a acidez do solo como faz o calcário. No calcário, o CO3 e o bicarbonato são responsáveis pela reação de neutralização. Por sua vez, o cálcio (Ca) permanece na solução do solo ou adsorvido ao complexo coloidal. Por outro lado, o gesso agrícola, na hidrólise, libera o Ca²+ e o SO4². Esses íons não neutralizam a acidez.
CaSO4.2H2O .......... Ca²+ + SO4²-
O gesso agrícola, no caso de solos ácidos, apresenta uma vantagem muito grande ao promover um maior desenvolvimento do sistema radicular das plantas, criando condições para que as raízes absorvam nutrientes e água nas camadas mais
profundas do solo.
No solo com gesso há formação de complexos de maior solubilidade que facilitam as perdas de Ca e outros cátions por lixiviação. Entretanto, a adsorção de sulfato às argilas e óxidos faz com que essa lixiviação seja retardada, porque os cátions precisam estar juntos com ânions.
O gesso agrícola, além de favorecer a movimentação de cátions ao longo do perfil do solo, ele reduz os níveis de alumínio (Al³+) tóxico para as plantas, com formação do sulfato de alumínio (AlSO4) pouco absorvido pelas raízes . A partir disso, os íons Al³+têm a sua atividade reduzida na solução do solo, bem como o alumínio trocável. Mas para atingir esse objetivo, grandes quantidades de gesso agrícola são necessárias. Entretanto, a acidez do solo se mantém.
Quanto à solubilidade em água, a do gesso agrícola é 172 vezes maior que a do carbonato de cálcio.

CaSO4.2H2O .......... Ca²+ + SO4²-
O gesso agrícola, no caso de solos ácidos, apresenta uma vantagem muito grande ao promover um maior desenvolvimento do sistema radicular das plantas, criando condições para que as raízes absorvam nutrientes e água nas camadas mais
profundas do solo.
No solo com gesso há formação de complexos de maior solubilidade que facilitam as perdas de Ca e outros cátions por lixiviação. Entretanto, a adsorção de sulfato às argilas e óxidos faz com que essa lixiviação seja retardada, porque os cátions precisam estar juntos com ânions.
O gesso agrícola, além de favorecer a movimentação de cátions ao longo do perfil do solo, ele reduz os níveis de alumínio (Al³+) tóxico para as plantas, com formação do sulfato de alumínio (AlSO4) pouco absorvido pelas raízes . A partir disso, os íons Al³+têm a sua atividade reduzida na solução do solo, bem como o alumínio trocável. Mas para atingir esse objetivo, grandes quantidades de gesso agrícola são necessárias. Entretanto, a acidez do solo se mantém.
Quanto à solubilidade em água, a do gesso agrícola é 172 vezes maior que a do carbonato de cálcio.

Nas plantas com sistema radicular profundo, a aplicação de gesso agrícola ajuda a aumentar os teores de Ca e Mg e proporcionar uma maior desenvolvimento do sistema radicular da planta. Nos solos ácidos que apresentam baixos teores de Ca e alto Al³+ na camada subsuperficial, a aplicação de gesso aumenta o Ca²+ na solução do solo da camada subsuperficial e neutraliza o Al³+ na camada profunda. Quando se deseja aumentar a relação Ca/Mg de 1:1 para 3 a 5:1 sem alterar o pH, o gesso agrícola pode ser utilizado, pois aumenta o teor do Ca na solução do solo.
LEIA: Alumínio (Al³+): o inimigo das plantas
A neutralização da acidez na camada de 0-20 cm é feita com calcário (calcítico ou dolomítico dependendo do caso) incorporado ao solo de maneira uniforme. O gesso agrícola pode ser utilizado como complemento da calagem e sua quantidade depende da recomendação feita pela pesquisa de cada região. Geralmente, se usa de 1/4 a 1/3 da quantidade recomendada de calcário.
LEIA: Cálculo da calagem em função do teor de argila do solo
Cálculo da calagem em função do fosforo remanescente
Substituindo parte do calcário pelo gesso agrícola
Aplicar calcário junto ou com antecedência ao gesso agrícola?
Sobre a aplicação do gesso agrícola junto com o calcário existem muitas controvérsias. Uns dizem que a aplicação de calcário junto com o gesso agrícolareduz a ação do calcário como neutralizante da acidez do solo. Por ser mais solúvel, o gesso satura com cálcio a solução do solo e diminui a velocidade de reação de hidrólise do calcário.
Outros pregam a aplicação do calcário antes do gesso agrícola em 60 a 90 dias e com boas condições de umidade no solo. O calcário precisa de umidade no solo para uma boa reação de suas partículas. Assim sendo, o Ca²+ e o Mg²+ ocupam o maior número de cargas negativas dos coloides do solo. Consequentemente, o valor do pH irá aumentar, pois o (CO3)² corrigirá a acidez do solo. Com a aplicação do gesso agrícola haverá um aumento dos íons Ca²+ e SO4- na solução do solo. O aumento do pH proporcionará uma menor adsorção do sulfato. O sulfato descerá com a água de percolação para a camada mais profunda do solo, levando junto cálcio e magnésio dissolvidos na solução do solo. O cátion K+ da solução do solo passa ocupar as posições dos íons H+, não percolando com facilidade.
Há, ainda, os que pregoam a aplicação de gesso antes do calcário. Neste caso, a dissociação do gesso promoverá a ocupação do cálcio nos pontos de troca dos coloides do solo e, também, na solução do solo. Por sua vez, como não houve neutralização da acidez, o íon SO4² ficará adsorvido aos minerais do solo. Dessa maneira, a percolação do sulfato carregando Ca e Mg é bem menor.
Disso tudo, chega-se à conclusão que a aplicação de calcário com antecedência ao gesso agrícola trará maiores benefícios.
O gesso pode ser considerado um condicionador do solo, principalmente quando se quer aumentar o nível de cálcio, sem elevar o pH do solo.
LEIA: Alumínio (Al³+): o inimigo das plantas
A neutralização da acidez na camada de 0-20 cm é feita com calcário (calcítico ou dolomítico dependendo do caso) incorporado ao solo de maneira uniforme. O gesso agrícola pode ser utilizado como complemento da calagem e sua quantidade depende da recomendação feita pela pesquisa de cada região. Geralmente, se usa de 1/4 a 1/3 da quantidade recomendada de calcário.
LEIA: Cálculo da calagem em função do teor de argila do solo
Cálculo da calagem em função do fosforo remanescente
Substituindo parte do calcário pelo gesso agrícola
Aplicar calcário junto ou com antecedência ao gesso agrícola?
Sobre a aplicação do gesso agrícola junto com o calcário existem muitas controvérsias. Uns dizem que a aplicação de calcário junto com o gesso agrícolareduz a ação do calcário como neutralizante da acidez do solo. Por ser mais solúvel, o gesso satura com cálcio a solução do solo e diminui a velocidade de reação de hidrólise do calcário.
Outros pregam a aplicação do calcário antes do gesso agrícola em 60 a 90 dias e com boas condições de umidade no solo. O calcário precisa de umidade no solo para uma boa reação de suas partículas. Assim sendo, o Ca²+ e o Mg²+ ocupam o maior número de cargas negativas dos coloides do solo. Consequentemente, o valor do pH irá aumentar, pois o (CO3)² corrigirá a acidez do solo. Com a aplicação do gesso agrícola haverá um aumento dos íons Ca²+ e SO4- na solução do solo. O aumento do pH proporcionará uma menor adsorção do sulfato. O sulfato descerá com a água de percolação para a camada mais profunda do solo, levando junto cálcio e magnésio dissolvidos na solução do solo. O cátion K+ da solução do solo passa ocupar as posições dos íons H+, não percolando com facilidade.
Há, ainda, os que pregoam a aplicação de gesso antes do calcário. Neste caso, a dissociação do gesso promoverá a ocupação do cálcio nos pontos de troca dos coloides do solo e, também, na solução do solo. Por sua vez, como não houve neutralização da acidez, o íon SO4² ficará adsorvido aos minerais do solo. Dessa maneira, a percolação do sulfato carregando Ca e Mg é bem menor.
Disso tudo, chega-se à conclusão que a aplicação de calcário com antecedência ao gesso agrícola trará maiores benefícios.
O gesso pode ser considerado um condicionador do solo, principalmente quando se quer aumentar o nível de cálcio, sem elevar o pH do solo.
Fonte:
Gastão Ney Monte Braga
SUBSOLAGEM, APLICAÇÃO DE GESSO AGRÍCOLA E DE ENXOFRE ELEMENTAR EM SOJA EM ÁREA DE VÁRZEA
Clique no link abaixo para ver o experimento:
http://www.cbai2013.com.br/cdonline/docs/trab-1307-380.pdf
http://www.cbai2013.com.br/cdonline/docs/trab-1307-380.pdf
quinta-feira, 20 de março de 2014
terça-feira, 9 de abril de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Demora para escoar soja eleva em 50% valor do frete
A falta de infraestrutura dos portos brasileiros para escoamento da produção nacional de soja tem causado impacto diretamente na rentabilidade das empresas exportadoras da oleaginosa, que precisam arcar agora com um custo não previsto em seu planejamento.
Um dos exemplos a comprovar esse prejuízo é o aumento do frete rodoviário e do demurrage - estadia para navios nos portos - que subiu por conta da demora em embarcar os grãos.
No caso do rodoviário, espera computada hoje em 60 dias até o porto de Paranaguá, no Pará, e de 32 dias, até Santos, o valor do frete saltou 50% este ano, quando comparado com 2012 - de US$ 100 para os atuais US$ 150, a tonelada do grão. Já o demurrage chega a custar cerca de US$ 20 mil a US$ 25 mil por dia.
Um executivo, que preferiu não se identificar, contou ao ao Brasil Econômico que todas as companhias processadoras e exportadoras do grão e seus derivados previam para essa safra um frete 30% abaixo do praticado pelo mercado, o que está levando muitas delas ao desespero.
"Os executivos estão se `descabelando´. Estão tomando prejuízo, trabalhando e perdendo receita. É um verdadeiro caos e não sabem como lidar com ele. O frete acabou com a margem de lucro das empresas", afirma, observando que 80% da safra matogrossense já foi vendida - a região concentra a maior produção de soja do país.
As empresas Cargill e Bunge foram procuradas, mas afirmaram que não comentam o assunto.
E pelo andar da carruagem, esse problema tende a se agravar no decorrer dos próximos dias já que há, segundo Daniel Furlan Amaral, gerente econômico da Associação Brasileira da Indústria de Óleo e Vegetais (Abiove), uma alta demanda também por outros grãos como o milho, sem contar o açúcar.
"O escoamento de todos esses produtos em um só período fez com que aumentasse a disputa pelo frete. As companhias não esperavam por uma variação de preço dessa magnitude", observa o executivo.
A safra brasileira de grãos subiu 45 milhões de toneladas no período de cinco anos, saindo de 135 milhões de toneladas para 180 milhões de toneladas.
Carlos Fávaro, presidente da Aprosoja, entidade que representa todas as companhias que trabalham nessa frente, chega a argumentar que a agricultura brasileira cresce a ritmo chinês, sendo o principal condutor do superávit da balança comercial brasileira nos últimos anos.
"Apesar de um cenário `positivo´ para a safra brasileira, vamos perder concorrência por termos uma infraestrutura de 40 anos que não permite o escoamento da produção. O Brasil está querendo envelhecer sem nunca ter se tornado competitivo", dispara.
Diante de um problema sem solução imediata, Fávaro alerta que a soja deixada de ser negociada agora trará na próxima negociação prejuízos diretos ao produtor.
"As trading vão colocar o custo de incapacidade de carregamento e quem paga é o produtor. A formação de preço será certamente menor."
Cristina Ribeiro de Carvalho
Fonte: Brasil Econômico
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Fretes aumentam com nova lei
Passados mais de quatro meses desde que foi sancionada e após uma paralisação da categoria ao fim de julho e um período de fiscalização com caráter educativo, a chamada "lei do caminhoneiro" entra efetivamente em vigor amanhã, quando os motoristas poderão ser multados se descumprirem as regras.
A Lei n 12.619 continua alvo de críticas e tem exigido uma série de adaptações operacionais e financeiras pelas grandes transportadoras brasileiras. A obrigatoriedade de um descanso de 30 minutos a cada quatro horas de rodagem, o respeito de uma hora diária para almoço e o repouso por 11 horas a cada 24 horas trabalhadas são alguns dos fatores que têm levado as empresas a aumentarem o número de funcionários próprios ou terceirizados. Segundo companhias consultadas pelo Valor, os custos já apresentam um aumento de até 40%.
Até o momento, a Gafor Logística conseguiu ajustar 70% de seus contratos e aponta uma elevação de 20% a 30% no valor do frete, por conta do maior número de veículos e também de motoristas, cuja quantidade subiu 35%. A avaliação sobre a nova legislação, contudo, é positiva.
"A lei tem um período natural de ajuste, traz uma mudança enorme, mas normatiza o segmento. A médio ou longo prazo ela é favorável", diz o presidente da Gafor, Sergio Maggi Júnior.
No caso da JSL, o impacto foi menor, dado que pouco mais de dois terços dos trajetos são de curta distância e pelo fato de os caminhões da empresa não rodarem após as 22h. Ainda assim, em casos específicos, o aumento do custo pode chegar a 40%. "Todas as operações sofrem impacto, ainda que pequeno", comenta o diretor de operações da companhia, Adriano Thiele.
Por conta da parada obrigatória após quatro horas de trabalho, a JSL promoveu algumas mudanças. Os motoristas rodam agora com diários de bordo onde precisam registrar cada parada.
"O procedimento de gestão muda bastante, mas a rotina do motorista não sofre impacto. As operações mais afetadas são as de cargas perecíveis. Em alguns casos, tivemos de chamar motoristas adicionais, mas essas são apenas operações pontuais", ressalta o executivo da JSL, empresa que conta hoje com cerca de 7 mil motoristas e segue em período de contratações.
A JSL também considera a nova regulamentação positiva, mas avalia que os motoristas precisam contar com infraestrutura para cumprir a nova legislação. A lei estabeleceu que deveriam ser montados pontos de apoio a cada 200 quilômetros nas rodovias, mas o item foi vetado pela presidente Dilma Rousseff.
"Contamos com 139 filiais, mas existem muitos motoristas sem ter onde parar hoje. Ainda há um dever de casa para ser cumprido", observa Thiele.
A Mira Transportes calcula um aumento de ao menos 30% no seu quadro de motoristas que operam em longas distâncias - percursos a partir de 600 quilômetros. O presidente-executivo da empresa, Carlos Mira, também relata dificuldade em novas contratações e, por conta disso, tem realizado treinamentos e promovido funcionários ao cargo de motorista. A frota da empresa de transportes só não sofrerá um crescimento acima do normal porque os negócios estão mais desaquecidos.
"Todo ano, atualizamos a frota, atualmente de 550 veículos, comprando até 20% a mais. Desta vez, a alta será de apenas 10%, porque tivemos um primeiro semestre ruim", conta Mira.
A Atlas Transportes & Logística ainda não sentiu necessidade de aumentar o quadro de motoristas para grande parte de suas operações por elas serem, em sua maioria, de curta distância. Já para os trechos mais longos, a empresa deverá elevar a quantidade e a participação de terceiros, em função da redução do número de viagens realizadas pelos veículos.
"A indústria será obrigada a rever seu planejamento de vendas considerando os novos prazos de entrega. Já os operadores logísticos e as transportadoras deverão estudar formas de compensar a produtividade dos veículos através de uma melhor programação de transporte, redução dos tempos de carga e descarga e agendamento das entregas como forma de minimizar os custos agregados à operação. Ainda assim, é bem provável o repasse, mesmo que parcial, dos custos nos fretes de nossos clientes", diz o diretor de planejamento e marketing da Atlas, Lauro Felipe Megale.
Também favorável à legislação, ele destaca que as novas medidas poderão contribuir para a redução dos índices de acidentes nas estradas brasileiras.
Beatriz Cutait
Fonte: Valor Econômico
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Recomendação de gesso agrícola para a cultura do café
A maioria dos solos utilizados para o plantio do café no Brasil apresenta baixos teores de cálcio trocável e elevados teores de alumínio, especialmente em camadas mais profundas. Dessa forma, as raízes do cafeeiro tendem a ficar concentradas na superfície do solo, o que torna as plantas extremamente suscetíveis a veranicos, além de reduzir a absorção de nutrientes que estão distribuídos em um maior volume de solo. Mas porque as raízes se concentram na superfície?
O efeito do calcário, em geral, não é observado em camadas mais profundas do solo, uma vez que o ânion acompanhante carbonato (CO32-) imprime reduzida mobilidade ao cálcio no perfil do solo. É por isso que, ao se recomendar a calagem em cobertura, deve-se fazer a correção para 7 cm de profundidade, para que não ocorra uma supercalegem. Assim, grande parte do cálcio fica restrita às camadas superficiais do solo.
O cálcio, por sua vez, é um elemento essencial para o crescimento vegetal, apresentando mobilidade intermediária no solo e pouquíssima, ou nenhuma, mobilidade nas plantas. Dessa forma, o cálcio enviado das raízes para as folhas do café não é retranslocado para as raízes novamente, como acontece com o fósforo. Pode-se, então, fazer uma afirmativa de fácil entendimento: "as raízes do cafeeiro crescem em busca de cálcio, e, onde não houver cálcio, praticamente não haverá raízes de café".
Além disso, o alumínio (Al3+) presente em camadas inferiores, não corrigidas pelo calcário, é tóxico para as plantas em concentrações elevadas. Portanto, haverá pouco crescimento radicular nessas camadas, devido aos baixos teores de cálcio e à possível toxidez de alumínio.
Para contornar esse problema, que muitas vezes não fica explícito, mas que reduz a produção das lavouras, deve-se utilizar o gesso. O gesso agrícola é composto basicamente por sulfato de cálcio (CaSO4.2H2O), contendo, aproximadamente, 32,6 % de CaO e 18,7 % de S, sendo fonte, além de cálcio, de enxofre. É um sal neutro e dissocia-se, quando em solução, em Ca2+ e SO4-2. Logo, não apresenta receptores de prótons (OH- e HCO3- ), ou seja, não é capaz, a princípio, de neutralizar a acidez do solo, muito menos de elevar a CTC. Dessa forma, é considerado como um condicionador do solo, não um corretivo.
O ânion acompanhante sulfato (SO42-) imprime elevada mobilidade ao cálcio, permitindo que este nutriente chegue a camadas mais profundas do solo. Além disso, o sulfato, oriundo do gesso, se liga ao alumínio do solo, formando o sulfato de alumínio (AlSO4+), que é uma forma menos tóxica para as plantas. O gesso promove, também, outras formas de redução da toxidez de alumínio, como a "auto-calagem" ou a formação de AlF2+, mas essas ocorrem com menor intensidade do que a formação de AlSO4+.
Por fornecer enxofre e cálcio, dar mobilidade ao cálcio até camadas mais profundas do solo e reduzir a toxidez de alumínio em sub-superfície, o gesso é um insumo fundamental para a cultura do café, pois favorece o crescimento e o desenvolvimento radicular. Com isso, as plantas ficam menos sensíveis a períodos de veranico e são capazes de absorver nutrientes presentes em um maior volume de solo.
Aplicação de gesso
O gesso é um importante insumo para a cafeicultura, mas tem seu emprego limitado a situações particulares bem definidas. O uso indiscriminado de gesso nas lavouras pode causar problemas em vez de benefícios e prejuízos em vez de lucros.
A utilização do gesso é prescrita para as três situações de sub-solo listadas a seguir. Se apenas uma delas for satisfeita, deve-se aplicar o gesso.
- Teor de cálcio menor ou igual a 0,4 cmolc/dm3.
- Teor de alumínio maior que 0,5 cmolc/dm3.
- Saturação por alumínio (m) maior que 30 %.
Essas são situações a serem determinadas no sub-solo, por meio de análises químicas. Portanto, a amostragem de solo, para esse caso, deve ser realizada na camada de 20 - 40 cm de profundidade, ou mais profundas, não na de 0 - 20 cm. Para verificar a necessidade de aplicação de gesso, os resultados analíticos da camada de 0 - 20 cm não querem dizer muita coisa. Essa decisão só pode ser tomada a partir dos resultados analíticos da camada de 20 - 40 cm.
Concluindo-se pela aplicação do gesso, segundo as três regras citadas, o cálculo da quantidade a ser utilizada é muito simples e baseado no cálculo para a necessidade de calagem (já discutido em artigo anterior). Divide-se em necessidade de gessagem (NG) e quantidade de gesso a ser aplicada (QG).
NG = 0,30 x NC, onde:
NG = Necessidade de gesso, em t/ha.
NC = Necessidade de calcário, em t/ha (calculada para a camada que se deseja corrigir com gesso, não para a camada de 0 - 20 cm. Essa NC é utilizada apenas para o cálculo da NG, não sendo aplicada ao solo).
QG = NG x (SC/100) x (PF/20), onde:
QG = Quantidade de gesso a ser aplicada para corrigir determinada camada de solo, em t/ha.
NG = Necessidade de gesso, em t/ha.
SC = Superfície coberta pelo gesso, em %. (para área total utiliza-se SC = 100 %; para aplicação em faixas utiliza-se SC = 75 %).
PF = Espessura da camada onde o gesso deverá agir, em cm. (para a camada de 20 a 40 cm utiliza-se PF = 20 cm; para a camada de 30 a 60 cm utiliza-se PF = 30 cm).
O gesso pode ser aplicado junto com o calcário, mas é preferível que seja usado após a aplicação deste. Aplica-se a quantidade de calcário calculada para a camada de 0-20 cm e a quantidade de gesso calculada para a camada sub-superficial. O gesso pode ser aplicado em cobertura, sem necessidade de incorporação, pois é muito móvel no solo. Se não houver necessidade de calagem para a camada superficial, pode-se aplicar apenas o gesso, mas esta condição deve ser revista anualmente.
A aplicação de gesso, mal calculada e sem o prévio conhecimento se há necessidade de calagem para a camada superficial, é prejudicial ao equilíbrio químico do solo e à nutrição balanceada do cafeeiro. No entanto, quando bem prescrita e calculada, a aplicação de gesso é fundamental para que sejam alcançadas elevadas produtividades na cafeicultura.
Fonte: André Guarçoni M.
D.Sc. em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade Federal de Viçosa-MG. Pesquisador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper)
O efeito do calcário, em geral, não é observado em camadas mais profundas do solo, uma vez que o ânion acompanhante carbonato (CO32-) imprime reduzida mobilidade ao cálcio no perfil do solo. É por isso que, ao se recomendar a calagem em cobertura, deve-se fazer a correção para 7 cm de profundidade, para que não ocorra uma supercalegem. Assim, grande parte do cálcio fica restrita às camadas superficiais do solo.
O cálcio, por sua vez, é um elemento essencial para o crescimento vegetal, apresentando mobilidade intermediária no solo e pouquíssima, ou nenhuma, mobilidade nas plantas. Dessa forma, o cálcio enviado das raízes para as folhas do café não é retranslocado para as raízes novamente, como acontece com o fósforo. Pode-se, então, fazer uma afirmativa de fácil entendimento: "as raízes do cafeeiro crescem em busca de cálcio, e, onde não houver cálcio, praticamente não haverá raízes de café".
Além disso, o alumínio (Al3+) presente em camadas inferiores, não corrigidas pelo calcário, é tóxico para as plantas em concentrações elevadas. Portanto, haverá pouco crescimento radicular nessas camadas, devido aos baixos teores de cálcio e à possível toxidez de alumínio.
Para contornar esse problema, que muitas vezes não fica explícito, mas que reduz a produção das lavouras, deve-se utilizar o gesso. O gesso agrícola é composto basicamente por sulfato de cálcio (CaSO4.2H2O), contendo, aproximadamente, 32,6 % de CaO e 18,7 % de S, sendo fonte, além de cálcio, de enxofre. É um sal neutro e dissocia-se, quando em solução, em Ca2+ e SO4-2. Logo, não apresenta receptores de prótons (OH- e HCO3- ), ou seja, não é capaz, a princípio, de neutralizar a acidez do solo, muito menos de elevar a CTC. Dessa forma, é considerado como um condicionador do solo, não um corretivo.
O ânion acompanhante sulfato (SO42-) imprime elevada mobilidade ao cálcio, permitindo que este nutriente chegue a camadas mais profundas do solo. Além disso, o sulfato, oriundo do gesso, se liga ao alumínio do solo, formando o sulfato de alumínio (AlSO4+), que é uma forma menos tóxica para as plantas. O gesso promove, também, outras formas de redução da toxidez de alumínio, como a "auto-calagem" ou a formação de AlF2+, mas essas ocorrem com menor intensidade do que a formação de AlSO4+.
Por fornecer enxofre e cálcio, dar mobilidade ao cálcio até camadas mais profundas do solo e reduzir a toxidez de alumínio em sub-superfície, o gesso é um insumo fundamental para a cultura do café, pois favorece o crescimento e o desenvolvimento radicular. Com isso, as plantas ficam menos sensíveis a períodos de veranico e são capazes de absorver nutrientes presentes em um maior volume de solo.
Aplicação de gesso
O gesso é um importante insumo para a cafeicultura, mas tem seu emprego limitado a situações particulares bem definidas. O uso indiscriminado de gesso nas lavouras pode causar problemas em vez de benefícios e prejuízos em vez de lucros.
A utilização do gesso é prescrita para as três situações de sub-solo listadas a seguir. Se apenas uma delas for satisfeita, deve-se aplicar o gesso.
- Teor de cálcio menor ou igual a 0,4 cmolc/dm3.
- Teor de alumínio maior que 0,5 cmolc/dm3.
- Saturação por alumínio (m) maior que 30 %.
Essas são situações a serem determinadas no sub-solo, por meio de análises químicas. Portanto, a amostragem de solo, para esse caso, deve ser realizada na camada de 20 - 40 cm de profundidade, ou mais profundas, não na de 0 - 20 cm. Para verificar a necessidade de aplicação de gesso, os resultados analíticos da camada de 0 - 20 cm não querem dizer muita coisa. Essa decisão só pode ser tomada a partir dos resultados analíticos da camada de 20 - 40 cm.
Concluindo-se pela aplicação do gesso, segundo as três regras citadas, o cálculo da quantidade a ser utilizada é muito simples e baseado no cálculo para a necessidade de calagem (já discutido em artigo anterior). Divide-se em necessidade de gessagem (NG) e quantidade de gesso a ser aplicada (QG).
NG = 0,30 x NC, onde:
NG = Necessidade de gesso, em t/ha.
NC = Necessidade de calcário, em t/ha (calculada para a camada que se deseja corrigir com gesso, não para a camada de 0 - 20 cm. Essa NC é utilizada apenas para o cálculo da NG, não sendo aplicada ao solo).
QG = NG x (SC/100) x (PF/20), onde:
QG = Quantidade de gesso a ser aplicada para corrigir determinada camada de solo, em t/ha.
NG = Necessidade de gesso, em t/ha.
SC = Superfície coberta pelo gesso, em %. (para área total utiliza-se SC = 100 %; para aplicação em faixas utiliza-se SC = 75 %).
PF = Espessura da camada onde o gesso deverá agir, em cm. (para a camada de 20 a 40 cm utiliza-se PF = 20 cm; para a camada de 30 a 60 cm utiliza-se PF = 30 cm).
O gesso pode ser aplicado junto com o calcário, mas é preferível que seja usado após a aplicação deste. Aplica-se a quantidade de calcário calculada para a camada de 0-20 cm e a quantidade de gesso calculada para a camada sub-superficial. O gesso pode ser aplicado em cobertura, sem necessidade de incorporação, pois é muito móvel no solo. Se não houver necessidade de calagem para a camada superficial, pode-se aplicar apenas o gesso, mas esta condição deve ser revista anualmente.
A aplicação de gesso, mal calculada e sem o prévio conhecimento se há necessidade de calagem para a camada superficial, é prejudicial ao equilíbrio químico do solo e à nutrição balanceada do cafeeiro. No entanto, quando bem prescrita e calculada, a aplicação de gesso é fundamental para que sejam alcançadas elevadas produtividades na cafeicultura.
Fonte: André Guarçoni M.
D.Sc. em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade Federal de Viçosa-MG. Pesquisador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper)
sexta-feira, 9 de março de 2012
Três milhões de toneladas de gesso agrícola são vendidas por ano
Utilizado desde os anos 90, o gesso agrícola passou a ser mais aplicado nos últimos anos. Em 1995, eram vendidas duzentas mil toneladas por ano. Agora, já são três milhões de toneladas. Porém, o uso indiscriminado pode ter efeito contrário e ainda prejudicar o solo. O gesso atua nas camadas mais profundas e permite que as plantas tenham raízes maiores, resistindo melhor à seca. A maioria dos agricultores do Cerrado usa o insumo, como o produtor Luiz Vicente Ghesti, que sabe que o resultado depende da aplicação correta. — Se usado em quantidade não recomendada, ele poderá carrear, ou seja, diminuir os nutrientes da camada superficial, exigindo adubação extra em função do ter retirado esse nutriente dessa camada — explica Ghesti.
Um dos motivos para o uso indiscriminado é a relação custo benefício. Na soja, por exemplo, para cada real investido o retorno chega a R$ 15 em oito anos, período que o produto continua agindo, sem a necessidade de reaplicar. O aumento na produtividade acaba sendo outro estímulo. — A melhor distribuição das raízes aumenta a produtividade. O algodão tem o dobro, o milho 50%, o trigo 50%, a soja 30%, o feijão 30% e a cana 30% também — avalia o pesquisador da Embrapa Cerrados Djalma Martinhão.
A sugestão dos pesquisadores da Embrapa é fazer sempre a análise do solo e seguir as orientações de um engenheiro agrônomo. — Se eu não fizer a análise do solo, posso estar colocando onde não é necessário e também posso por menos do que o necessário, e aí não vou ganhar em produtividade, o que ganharia se estivesse certo — conclui Martinhão.
Fonte: Canal Rural
Um dos motivos para o uso indiscriminado é a relação custo benefício. Na soja, por exemplo, para cada real investido o retorno chega a R$ 15 em oito anos, período que o produto continua agindo, sem a necessidade de reaplicar. O aumento na produtividade acaba sendo outro estímulo. — A melhor distribuição das raízes aumenta a produtividade. O algodão tem o dobro, o milho 50%, o trigo 50%, a soja 30%, o feijão 30% e a cana 30% também — avalia o pesquisador da Embrapa Cerrados Djalma Martinhão.
A sugestão dos pesquisadores da Embrapa é fazer sempre a análise do solo e seguir as orientações de um engenheiro agrônomo. — Se eu não fizer a análise do solo, posso estar colocando onde não é necessário e também posso por menos do que o necessário, e aí não vou ganhar em produtividade, o que ganharia se estivesse certo — conclui Martinhão.
Fonte: Canal Rural
quinta-feira, 8 de março de 2012
Efeitos da utilização de gesso e boro em plantas cítricas
A nutrição das plantas cítricas é prática reconhecida como um dos principais fatores de incremento de produtividade na cultura, seja pela aplicação de nutrientes via solo ou via foliar.
Como prática usual, na maioria das vezes, os macronutrientes são aplicados no solo e os micronutrientes são aplicados via folhas. Há hoje, no entanto, uma linha de pesquisadores que defendem a aplicação de micronutrientes via solo, principalmente o boro.
Outra prática, também pouco utilizada nos citros é a aplicação de gesso agrícola, provavelmente devido a uma antiga crença de que este “arrastaria” nutrientes, principalmente o potássio, para o subsolo, fora do alcance das raízes.
Baseado em informações fornecidas pelo Eng° Agr° Ronaldo Cabrera, que vem trabalhando já há algum tempo com a aplicação de gesso e boro em citros, buscando inclusive a recuperação de plantas com sintomas de CVC, o Departamento Técnico da Coopercitrus instalou alguns campos demonstrativos visando ao acompanhamento desta prática nos pomares.
Como prática usual, na maioria das vezes, os macronutrientes são aplicados no solo e os micronutrientes são aplicados via folhas. Há hoje, no entanto, uma linha de pesquisadores que defendem a aplicação de micronutrientes via solo, principalmente o boro.
Outra prática, também pouco utilizada nos citros é a aplicação de gesso agrícola, provavelmente devido a uma antiga crença de que este “arrastaria” nutrientes, principalmente o potássio, para o subsolo, fora do alcance das raízes.
Baseado em informações fornecidas pelo Eng° Agr° Ronaldo Cabrera, que vem trabalhando já há algum tempo com a aplicação de gesso e boro em citros, buscando inclusive a recuperação de plantas com sintomas de CVC, o Departamento Técnico da Coopercitrus instalou alguns campos demonstrativos visando ao acompanhamento desta prática nos pomares.
Objetivos
Os objetivos da instalação destes campos foi demonstrar:
1) Distribuição do sistema radicular em diferentes profundidades no perfil do solo
2) Comparar os teores de nutrientes em três profundidades do solo
3) Comparar os teores de nutrientes nas folhas
4) Comparar a produtividade nos diferentes tratamentos efetuados.
5) Realizar uma avaliação visual em relação aos sintomas de CVC e tamanho de frutos
1) Distribuição do sistema radicular em diferentes profundidades no perfil do solo
2) Comparar os teores de nutrientes em três profundidades do solo
3) Comparar os teores de nutrientes nas folhas
4) Comparar a produtividade nos diferentes tratamentos efetuados.
5) Realizar uma avaliação visual em relação aos sintomas de CVC e tamanho de frutos
Metodologia
Os resultados citados são referentes ao campo demonstrativo instalado no Sítio Nossa Senhora Aparecida (em 2003), de propriedade do cooperado Sebastião Ferreira, localizado no distrito de Turvínea, Município de Bebedouro - SP.
Foram realizados 3 tratamentos em um pomar da variedade Natal, com 7 anos de plantio, plantadas num espaçamento de 7 x 4 metros, num total de 357 plantas / ha. A dose de gesso utilizada foi de 2,0 toneladas / ha. A dose de boro utilizada foi de 4,0 Kg / ha sendo este aplicado sob a forma de ulexita (10 % de boro) e de ácido bórico (17% de boro). A ulexita foi aplicada sob a copa das plantas, de uma só vez, numa dosagem de 120 gramas/planta. O ácido bórico foi aplicado juntamente com o herbicida na dosagem de 23,5 Kg / ha, divididos em duas aplicações. Foram deixadas 4 ruas como testemunha onde não foi aplicado nem o gesso, nem qualquer fonte de boro. A aplicação do gesso foi realizada dia 30/10/2002. As aplicações do ácido bórico foram realizadas juntamente com as aplicações de herbicidas nos dias 20/11/2002 e 10/02/2003. A ulexita foi aplicada dia no dia 05/11/2002.
Para se avaliar a distribuição do sistema radicular, foi aberta uma trincheira de 1 metro de profundidade ao lado de uma planta em cada tratamento. Foi realizada uma avaliação visual, estimando-se a distribuição das raízes nas diferentes profundidades do solo.
Para avaliação dos teores de nutrientes no solo, foram coletadas 20 amostras em cada tratamento em 3 profundidades diferentes:0 a 20, 20 a 40 e 40 a 60 cm. Para avaliação dos teores foliares, foram coletadas uma amostra de 100 folhas em cada tratamento.
Visando avaliação da produtividade, foram escolhidas 14 plantas em cada tratamento, sendo descartadas os dois melhores e os dois piores resultados, sendo consideradas 10 plantas úteis por tratamento.
Foram realizados 3 tratamentos em um pomar da variedade Natal, com 7 anos de plantio, plantadas num espaçamento de 7 x 4 metros, num total de 357 plantas / ha. A dose de gesso utilizada foi de 2,0 toneladas / ha. A dose de boro utilizada foi de 4,0 Kg / ha sendo este aplicado sob a forma de ulexita (10 % de boro) e de ácido bórico (17% de boro). A ulexita foi aplicada sob a copa das plantas, de uma só vez, numa dosagem de 120 gramas/planta. O ácido bórico foi aplicado juntamente com o herbicida na dosagem de 23,5 Kg / ha, divididos em duas aplicações. Foram deixadas 4 ruas como testemunha onde não foi aplicado nem o gesso, nem qualquer fonte de boro. A aplicação do gesso foi realizada dia 30/10/2002. As aplicações do ácido bórico foram realizadas juntamente com as aplicações de herbicidas nos dias 20/11/2002 e 10/02/2003. A ulexita foi aplicada dia no dia 05/11/2002.
Para se avaliar a distribuição do sistema radicular, foi aberta uma trincheira de 1 metro de profundidade ao lado de uma planta em cada tratamento. Foi realizada uma avaliação visual, estimando-se a distribuição das raízes nas diferentes profundidades do solo.
Para avaliação dos teores de nutrientes no solo, foram coletadas 20 amostras em cada tratamento em 3 profundidades diferentes:0 a 20, 20 a 40 e 40 a 60 cm. Para avaliação dos teores foliares, foram coletadas uma amostra de 100 folhas em cada tratamento.
Visando avaliação da produtividade, foram escolhidas 14 plantas em cada tratamento, sendo descartadas os dois melhores e os dois piores resultados, sendo consideradas 10 plantas úteis por tratamento.
Resultados
Em relação à distribuição do sistema radicular no perfil do solo, foram obtidos os resultados demonstrados no gráfico 01 e nas fotos 01, 02 e 03.
Conforme pode-se observar no gráfico 01, na área testemunha, 80% das raízes estavam localizadas de 0 a 20 cm de profundidade, 15% de 20 a 40 cm, 5% de 40 a 60 cm e não havia nenhuma raiz (0%) na profundidade de 60 a 80 cm.
Conforme pode-se observar no gráfico 01, na área testemunha, 80% das raízes estavam localizadas de 0 a 20 cm de profundidade, 15% de 20 a 40 cm, 5% de 40 a 60 cm e não havia nenhuma raiz (0%) na profundidade de 60 a 80 cm.
No tratamento do gesso + ácido bórico, 55 % das raízes se encontravam na profundidade de 0 a 20 cm, 25% de 20 a 40cm, 15% de 40 a 60 cm e 5% das raízes se encontravam na profundidade de 60 a 80 cm. (Foto 02)
No tratamento do gesso + ulexita, foi encontrada a melhor distribuição e o maior aprofundamento das raízes no perfil do solo. Neste tratamento 35% das raízes se encontravam na profundidade de 0 a 20 cm, 35% de 20 a 40 cm, 20% se localizavam entre 40 e 60 cm e 10 % das raízes se encontravam entre 60 e 80 cm de profundidade. (Foto 03)
Quanto aos teores de nutrientes no solo, pode-se observar o comportamento dos mesmos nos dois tratamentos e na testemunha, observando-se os gráficos 02, 03, 04 e 05:
- No gráfico 02, percebe-se claramente o aumento nos teores de cálcio no solo, nos tratamentos que foi aplicado gesso, em relação à testemunha. No tratamento de gesso + ulexita, ocorreu um aumento de 80 % nos níveis de cálcio na profundidade de 0 a 20 cm, 85,7 % na profundidade de 20 a 40 cm e de 66,7% na profundidade de 40 a 60 cm em relação à área testemunha, onde não foi aplicado gesso. No tratamento de gesso + ácido bórico o aumento dos níveis de cálcio em relação à testemunha foi de 160% de 0 a 20 cm, 71,4% de 20 a 40 cm e de 66,7% na profundidade de 40 a 60 cm.
Em relação aos teores de boro no solo, verifica-se no gráfico 03, que os tratamentos com ulexita e ácido bórico, aumentaram os teores deste nutriente. Onde se aplicou a ulexita, o incremento nos níveis de boro foram de 132 % na profundidade de 0 a 20 cm, 246 % de 20 a 40 cm e de 431% na profundidade de 40 a 60 cm. Na aplicação de ácido bórico, esse aumento foi menor, sendo de 87% de 0 a 20cm, 34,6% de 20 a 40 cm e de 41% de 40 a 60 cm de profundidade.
No gráfico 04, pode-se notar que a aplicação de gesso cumpriu um de seus papéis, que é a eliminação do alumínio tóxico na sub-superfície do solo.
Quanto a lixiviação do potássio, que seria provocada pela aplicação de gesso, nota-se no gráfico 05, que nada ocorreu neste sentido, pois os teores deste nutriente mostram-se praticamente sem diferença entre a testemunha e os dois tratamentos em que se utilizou o gesso.
- Quanto aos teores de boro nas folhas, verifica-se no gráfico 06 que as duas formas de aplicação deste elemento via solo, promoveram aumento dos teores nas folhas. O tratamento que utilizou ácido bórico, via barra de herbicida, promoveu um aumento de 19% do nível de boro, quando comparado à testemunha (que recebeu boro via adubação foliar, como normalmente se faz na propriedade) e o tratamento que utilizou ulexita aplicado sob a copa das plantas, aumentou em 62% os teores de boro nas folhas, também em relação à testemunha
- Quanto à produtividade, pode-se verificar, conforme gráfico 07 que também os dois tratamentos promoveram aumento considerável na quantidade de caixas produzidas por planta. Neste caso, a aplicação de gesso + ulexita promoveu aumento de produtividade de 15,15%, enquanto no tratamento de gesso + ácido bórico este aumento foi de 26,67%.
- Em relação aos sintomas de CVC, pode-se verificar uma maior brotação das plantas, mesmo dos ramos atacados, com sensível melhoria do enfolhamento dos ponteiros. Verifica-se também, um melhor aspecto visual das plantas e nota-se um menor quantidade de frutos pequenos, sintoma típico da CVC, nas áreas tratadas com gesso + boro.
Conclusões
Com base nos dados obtidos neste campo demonstrativo, pode concluir que a aplicação de gesso + boro é uma prática que pode ser adotada nos pomares cítricos, principalmente pela excelente relação custo/benefício obtida.
Em relação à forma de boro aplicada juntamente com o gesso, pôde-se verificar que o maior incremento dos níveis deste nutriente no solo e na folha foram obtidos com a aplicação de ulexita, porém, neste primeiro ano, a maior produtividade foi obtida com a aplicação de ácido bórico. Isso se explica, talvez, pela maior solubilidade do ácido bórico em relação à ulexita, ficando este mais rapidamente disponível para as plantas.
Desta forma, verificou-se que a aplicação de gesso e a aplicação de boro via solo, aumentaram os teores de nutrientes tanto no solo, quanto nas folhas de citros e promoveram um sensível incremento na produtividade, já no primeiro ano de utilização.
Em relação à forma de boro aplicada juntamente com o gesso, pôde-se verificar que o maior incremento dos níveis deste nutriente no solo e na folha foram obtidos com a aplicação de ulexita, porém, neste primeiro ano, a maior produtividade foi obtida com a aplicação de ácido bórico. Isso se explica, talvez, pela maior solubilidade do ácido bórico em relação à ulexita, ficando este mais rapidamente disponível para as plantas.
Desta forma, verificou-se que a aplicação de gesso e a aplicação de boro via solo, aumentaram os teores de nutrientes tanto no solo, quanto nas folhas de citros e promoveram um sensível incremento na produtividade, já no primeiro ano de utilização.
| Engº Agrº Evandro Nei Oliver | |
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Gesso agrícola e rendimento de grãos de soja na região do sudoeste de Goiás
O revolvimento de áreas em plantio direto (PD) há vários anos e o uso de gesso agrícola são práticas observadas entre os produtores na região do sudoeste de Goiás. Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar o efeito da aplicação de doses de gesso agrícola (0, 1, 2, 4 e 6 Mg ha-1) em alguns atributos químicos em profundidade no solo e no rendimento de grãos de soja em plantio direto com revolvimento (PDR) e sem revolvimento (PDS). O delineamento foi em blocos completos ao acaso, em esquema de parcelas subsubdivididas, com quatro repetições. A área vinha sendo conduzida há vários anos em PD, em um Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico textura argilosa, no sudoeste goiano, com os teores de Ca2+, Mg2+, K+, sulfato e CTC efetiva sendo determinados nas camadas de 0–5, 5–10, 10–20 e 20–40 cm. Observou-se que no PDS a maior concentração dos cátions e do sulfato ocorreu na camada de 0–5 cm, enquanto no PDR o sulfato se concentrou na de 20–40 cm. O maior rendimento de grãos de soja ocorreu no PDS, porém não houve influência das doses de gesso.
Veja o artigo na integra clicando aqui.
Autores: Lucimeire Neis, Helder Barbosa Paulino, Edicarlos Damacena de Souza, Edésio Fialho dos Reis & Flávio Araújo Pinto
Revista Brasileira de Ciência do Solo
Veja o artigo na integra clicando aqui.
Autores: Lucimeire Neis, Helder Barbosa Paulino, Edicarlos Damacena de Souza, Edésio Fialho dos Reis & Flávio Araújo Pinto
Revista Brasileira de Ciência do Solo
domingo, 17 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
Gessagem estimula enraizamento das plantas
A gessagem estimula o enraizamento das plantas devido à presença de cálcio (Ca) solúvel no gesso. As raízes das plantas são estimuladas a crescer, principalmente em profundidade no solo que contém baixo teor de Ca. Além disso, o sulfato (SO4=) também presente no gesso forma um complexo com alumínio (Al) tóxico do solo, reduzindo a toxidez, o que também estimula o crescimento das raízes das plantas.
Aplicação de gesso x enraizamento
Em solos onde o teor de Ca é baixo em profundidade, bem como a toxidez de alumínio é alta, o que é comum nos solos da região do Cerrado, é imprescindível a aplicação de gesso para promover o bom enraizamento das plantas, principalmente em profundidade.
Caso não se utilize o gesso, o desenvolvimento das plantas é menor, bem como a eficiência dos fertilizantes aplicados ao solo também é baixa, reduzindo o retorno econômico dos produtores.
Para Djalma Martinhão Gomes de Sousa, pesquisador da Embrapa Cerrados, as produtividades das culturas são menores quando não se utiliza o gesso devido ao pequeno acesso à água e nutrientes do solo, pois as raízes das plantas ficam mais na superfície do solo, limitadas à exploração de pequeno volume do mesmo.
Na foto acima as duas plantas de algodão da esquerda apresentam a raiz principal torta, devido ao baixo teor de Ca e alta toxidez de alumínio do solo em profundidade. Comadição de gesso, que ocorreu para as duas plantas da direita, a raiz principal cresceu em profundidade, pois o gesso forneceu Ca e reduziu a toxidez do alumínio em camadas mais profundas de solo.
A dose de gesso recomendada para esse solo foi de 3 t/ha. Observa-se também o maior desenvolvimento das plantas de algodão (as duas à direita na foto) onde o gesso foi aplicado. O rendimento do algodão em caroço da área sem gesso foi de 3,0 t/ha, enquanto que na área com gesso foram produzidas 5,9 t/ha, ou seja, um acréscimo no rendimento de 96,7%.
Culturas beneficiadas
Em trabalhos de pesquisa foram obtidas boas respostas para as seguintes culturas: soja, milho, trigo, feijão, amendoim, algodão, cana-de-açúcar, café, eucalipto, manga, laranja, abacaxi, leguminosas e gramíneas forrageiras, dentre outras.
O primeiro passo recomendado por Djalma Martinhão é avaliar se o solo tem teor de Ca baixo e toxidez de alumínio alta. "Para isso é necessário retirar uma amostra de solo representativa da área tanto da camada superficial (0 a 20 cm) como da camada profunda (20 a 40 cm e 40 a 60 cm). Enviar a amostra de solo para o laboratório de análise química e física, e solicitar que sejam feitas as determinações de rotina (pH em água e CaCl2, alumínio trocável, cálcio trocável, magnésio trocável, potássio trocável, fósforo, dentre outras determinações), como também o teor de argila", destaca.
De posse dos resultados é importante verificar os dados das camadas de 20 a 40 cm e de 40 a 60 cm se o teor de Ca é menor que 0,5 cmolc/dm³, e a saturação de alumínio maior que 20% em alguma delas. Caso isso ocorra, o gesso deve ser aplicado ao solo.
Para calcular a dose de gesso, expõe o pesquisador, necessitamos do teor de argila do solo e saber se a área será cultivada com culturas anuais ou perenes. O cálculo é feito utilizando uma das fórmulas abaixo:
Culturas anuais: D.G. (kg/ha) = 50 x argila (%)
Culturas perenes: D.G. (kg/ha) = 75 x argila (%)
D.G. = dose de gesso agrícola com 15% de enxofre.
Resultados de campo
Para culturas como soja, feijão e amendoim ocorrem aumentos na produtividade em torno de 30%. Culturas como algodão, milho e trigo os aumentos em produtividade podem chegar a 100%. Em cana-de-açúcar os ganhos em produtividade para cana planta são em média de 20% e em cana soca entre 30% a 40%. Para a cultura do café são obtidos ganhos de até 50%.
"O erro mais comum é não proceder à análise do solo para verificar se é necessário utilizar o gesso na área. O outro problema é não utilizar as fórmulas para o cálculo da dose correta de gesso. Tem ocorrido em algumas lavouras o uso de doses de gesso bem acima do recomendado, o que pode gerar problemas ambientais, como também reduz o retorno econômico do produtor", destaca Djalma Martinhão.
Segundo o pesquisador, para ter sucesso com o uso dessa tecnologia o ideal é contar com o acompanhamento de um engenheiro agrônomo ou empresas de assistência técnica. "É imprescindível que se faça a análise do solo para avaliar se é necessária a utilização do gesso", enfatiza o pesquisador.
Fonte: Campo e Negócios
domingo, 19 de junho de 2011
Neutralização da Acidez Subsuperficial
Os solos do Brasil, além de serem ácidos, apresentam problemas de acidez subsuperficial, pois a incorporação do calcário nem sempre é possível fazê-la profundamente. Sendo assim, as camadas profundas, além dos 35 cm, podem apresentar níveis tóxicos de alumínio. As raízes, nestas condições, encontram dificuldades para absorverem os nutrientes do solo e para buscarem água. As plantas sofrem com os veranicos e limitação de produtividade. A aplicação de gesso agrícola contribui para diminuir a saturação de alumínio nas camadas mais profundas. O sistema radicular consegue, então, se aprofundar no solo e ao alcance dos nutrientes e água. Entretanto, não podemos confundir o gesso
como corretivo de acidez. Ele não neutraliza a acidez do solo. O gesso agrícola deve ser utilizado quando a análise do solo na camada de 30-50 cm apontar uma saturação por alumínio (m%) maior que 20% ou quando a saturação de cálcio for menor que 60%, ou ambas. Para calcular a saturação por alumínio (m%) e a saturação de cálcio, clique nos links abaixo:
como corretivo de acidez. Ele não neutraliza a acidez do solo. O gesso agrícola deve ser utilizado quando a análise do solo na camada de 30-50 cm apontar uma saturação por alumínio (m%) maior que 20% ou quando a saturação de cálcio for menor que 60%, ou ambas. Para calcular a saturação por alumínio (m%) e a saturação de cálcio, clique nos links abaixo:
Cálculo das saturações de Ca, Mg e K
A dose de gesso, em kg/ha, varia de acordo com a textura do solo: arenosa, 700; textura média, 1.200; argilosa, 2.200; muito argilosa, 3.200. O efeito residual é por cinco anos.A calagem visa o aumento do pH do solo, aumento de Ca e Mg, neutralização do Al tóxico e aumento da CTC efetiva. O efeito do calcário se limita à profundidade que foi incorporado: se aplicado superficialmente, as camadas subsuperficiais apresentam condições adversas ao desenvolvimento do sistema radicular. Para atingir as camadas mais profundas seria necessário:
A dose de gesso, em kg/ha, varia de acordo com a textura do solo: arenosa, 700; textura média, 1.200; argilosa, 2.200; muito argilosa, 3.200. O efeito residual é por cinco anos.A calagem visa o aumento do pH do solo, aumento de Ca e Mg, neutralização do Al tóxico e aumento da CTC efetiva. O efeito do calcário se limita à profundidade que foi incorporado: se aplicado superficialmente, as camadas subsuperficiais apresentam condições adversas ao desenvolvimento do sistema radicular. Para atingir as camadas mais profundas seria necessário:
1. incorporação motomecanizada do calcário que é possível somente nos sistemas convencionais de cultivo. É impraticável nos sistemas de plantio direto e culturas perenes estabelecidas;
2. mobilização químico-orgânica, que consiste na utilização do gesso agrícola aliado à calagem superficial. Há um aumento do Ca e uma diminuição do Al tóxico, em profundidade. Um problema é que o gesso pode causar lixiviação de cátions básicos, não aumentar o pH do solo, não disponibilizando cargas negativas de troca nos coloides do solo.
Oliveira & Pavan (1966) observaram em sistema de plantio direto e em pomar de macieiras estabelecidas, manejado com restos vegetais de aveia preta e plantas invasoras, em que a calagem superficial reduziu o teor de Al, aumentou o pH do solo e o teor de Ca até 40 cm de profundidade. Os resíduos vegetais liberariam compostos orgânicos antes da decomposição pelos microorganismos do solo. Os compostos orgânicos mobilizariam o Ca, aumentariam o pH do solo e neutralizariam o Al em profundidade. Como as plantas invasoras têm a propriedade de produzir grande quantidade de biomassa e alto potencial de liberação de compostos orgânicos, é de grande interesse utilizá-las para melhorar a eficiência da calagem na neutralização da acidez do solo. As plantas invasoras seriam um potencial para a mobilização do Ca pelos compostos orgânicos, possibilitando que os efeitos da calagem superficial se estenda às camadas subsuperficiais.
Os solos do Cerrado apresentam acidez subsuperficial porque a incorporação do calcário nas camadas profundas nem sempre é possível. Mesmo que a calagem tenha sido bem feita, seguindo as recomendações técnicas, ela não atinge as camadas profundas (abaixo de 35 cm) que continuam com a presença de alumínio tóxico. A baixa capacidade de retenção de água destes solos corrobora para aumentar o problema, traduzindo-se em quedas de produtividade. Uma solução seria usar maior quantidade de calcário por um tempo maior. Outra seria a utilização de gesso para diminuir a saturação de alumínio nas camadas profundas, pois o sulfato do gesso ajudaria no arraste do Ca do calcário para estas camadas. O sistema radicular das plantas apresentaria um melhor desenvolvimento nestas camadas profundas buscando água e nutrientes. A planta suportaria melhor os veranicos. Na imagem abaixo, podemos notar que aonde não foi aplicado gesso, o desenvolvimento do sistema radicular concentrou-se (60%) na camada de 0-15 cm. Onde foi aplicado gesso, verifica-se uma melhor concentração do sistema de raízes nas camadas mais profundas do que na lavoura sem gesso.
Fonte: Blog Na Sala com Gismonti
Recomendação de Gesso Agrícola para a cultura do café
A maioria dos solos utilizados para o plantio do café, no Brasil, apresenta baixos teores de cálcio trocável e elevados teores de alumínio, especialmente em camadas mais profundas. Dessa forma, as raízes do cafeeiro tendem a ficar concentradas na superfície do solo, o que torna as plantas extremamente suscetíveis a veranicos, além de reduzir a absorção de nutrientes que estão distribuídos em um maior volume de solo. Mas por que as raízes se concentram na superfície?
O efeito do calcário, em geral, não é observado em camadas mais profundas do solo, uma vez que o ânion, acompanhante carbonato (CO32-), imprime reduzida mobilidade ao cálcio no perfil do solo. É por isso que, ao se recomendar a calagem em cobertura, deve-se fazer a correção para 7 cm de profundidade, para que não ocorra uma supercalagem. Assim, grande parte do cálcio fica restrita às camadas superficiais do solo.
O cálcio, por sua vez, é um elemento eficaz para o crescimento vegetal, apresentando mobilidade intermediária no solo e pouquíssima, ou nenhuma, mobilidade nas plantas. Dessa forma, o cálcio enviado das raízes para as folhas do café não é retranslocado para as raízes, como acontece com o fósforo. Pode-se, então, fazer uma afirmativa de fácil entendimento: "as raízes do cafeeiro crescem em busca de cálcio, e, onde não houver cálcio, praticamente, não haverá raízes de café".
Além disso, o alumínio (Al3+) presente em camadas inferiores, não corrigidas pelo calcário, é tóxico para as plantas em concentrações elevadas. Portanto, haverá pouco crescimento radicular nessas camadas, devido aos baixos teores de cálcio e à possível toxidez de alumínio.
Para contornar esse problema, que, muitas vezes, não fica explícito, mas que reduz a produção das lavouras, deve-se utilizar o gesso. O gesso agrícola é composto, basicamente, por sulfato de cálcio (CaSO4.2H2O), contendo, aproximadamente, 32,6% de CaO e 18,7% de S, sendo fonte, além de cálcio, de enxofre. É um sal neutro e dissocia-se, quando em solução, em Ca2+ e SO4-2. Logo, não apresenta receptores de prótons (OH- e HCO3-), ou seja, não é capaz, a princípio, de neutralizar a acidez do solo, muito menos de elevar a CTC. Dessa forma, é considerado como um condicionador do solo, não um corretivo.
O ânion, acompanhante sulfato (SO42-), imprime elevada mobilidade ao cálcio, permitindo que este nutriente chegue a camadas mais profundas do solo. Além disso, o sulfato, oriundo do gesso, se liga ao alumínio do solo, formando o sulfato de alumínio (AlSO4+), que é uma forma menos tóxica para as plantas. O gesso promove, também, outras formas de redução da toxidez de alumínio, como a "auto-calagem" ou a formação de AlF2+, mas essas ocorrem com menor intensidade do que a formação de AlSO4+.
Por fornecer enxofre e cálcio, dar mobilidade ao cálcio até camadas mais profundas do solo e reduzir a toxidez de alumínio em sub-superfície, o gesso é um insumo fundamental para a cultura do café, pois favorece o crescimento e o desenvolvimento radicular. Com isso, as plantas ficam menos sensíveis a períodos de veranico e são capazes de absorver nutrientes presentes em um maior volume de solo.
O efeito do calcário, em geral, não é observado em camadas mais profundas do solo, uma vez que o ânion, acompanhante carbonato (CO32-), imprime reduzida mobilidade ao cálcio no perfil do solo. É por isso que, ao se recomendar a calagem em cobertura, deve-se fazer a correção para 7 cm de profundidade, para que não ocorra uma supercalagem. Assim, grande parte do cálcio fica restrita às camadas superficiais do solo.
O cálcio, por sua vez, é um elemento eficaz para o crescimento vegetal, apresentando mobilidade intermediária no solo e pouquíssima, ou nenhuma, mobilidade nas plantas. Dessa forma, o cálcio enviado das raízes para as folhas do café não é retranslocado para as raízes, como acontece com o fósforo. Pode-se, então, fazer uma afirmativa de fácil entendimento: "as raízes do cafeeiro crescem em busca de cálcio, e, onde não houver cálcio, praticamente, não haverá raízes de café".
Além disso, o alumínio (Al3+) presente em camadas inferiores, não corrigidas pelo calcário, é tóxico para as plantas em concentrações elevadas. Portanto, haverá pouco crescimento radicular nessas camadas, devido aos baixos teores de cálcio e à possível toxidez de alumínio.
Para contornar esse problema, que, muitas vezes, não fica explícito, mas que reduz a produção das lavouras, deve-se utilizar o gesso. O gesso agrícola é composto, basicamente, por sulfato de cálcio (CaSO4.2H2O), contendo, aproximadamente, 32,6% de CaO e 18,7% de S, sendo fonte, além de cálcio, de enxofre. É um sal neutro e dissocia-se, quando em solução, em Ca2+ e SO4-2. Logo, não apresenta receptores de prótons (OH- e HCO3-), ou seja, não é capaz, a princípio, de neutralizar a acidez do solo, muito menos de elevar a CTC. Dessa forma, é considerado como um condicionador do solo, não um corretivo.
O ânion, acompanhante sulfato (SO42-), imprime elevada mobilidade ao cálcio, permitindo que este nutriente chegue a camadas mais profundas do solo. Além disso, o sulfato, oriundo do gesso, se liga ao alumínio do solo, formando o sulfato de alumínio (AlSO4+), que é uma forma menos tóxica para as plantas. O gesso promove, também, outras formas de redução da toxidez de alumínio, como a "auto-calagem" ou a formação de AlF2+, mas essas ocorrem com menor intensidade do que a formação de AlSO4+.
Por fornecer enxofre e cálcio, dar mobilidade ao cálcio até camadas mais profundas do solo e reduzir a toxidez de alumínio em sub-superfície, o gesso é um insumo fundamental para a cultura do café, pois favorece o crescimento e o desenvolvimento radicular. Com isso, as plantas ficam menos sensíveis a períodos de veranico e são capazes de absorver nutrientes presentes em um maior volume de solo.
Aplicação de gesso
O gesso é um importante insumo para a cafeicultura, mas tem seu emprego limitado a situações particulares bem definidas. O uso indiscriminado de gesso nas lavouras pode causar problemas em vez de benefícios e prejuízos em vez de lucros.
O gesso é um importante insumo para a cafeicultura, mas tem seu emprego limitado a situações particulares bem definidas. O uso indiscriminado de gesso nas lavouras pode causar problemas em vez de benefícios e prejuízos em vez de lucros.
A utilização do gesso é prescrita para as três situações de sub-solo listadas a seguir. Se apenas uma delas for satisfeita, deve-se aplicar o gesso.
- Teor de alumínio maior que 0,5 cmolc/dm3.
- Saturação por alumínio (m) maior que 30%.
Essas são situações a serem determinadas no sub-solo, por meio de análises químicas. Portanto, a amostragem de solo, para esse caso, deve ser realizada na camada de 20 a 40 cm de profundidade, ou mais profundas, não na de 0 a 20 cm. Para verificar a necessidade de aplicação de gesso, os resultados analíticos da camada de 0 a 20 cm não querem dizer muita coisa. Essa decisão só pode ser tomada com base nos resultados analíticos da camada de 20 a 40 cm.
Concluindo-se pela aplicação do gesso, segundo as três regras citadas, o cálculo da quantidade a ser utilizada é muito simples e se fundamenta no cálculo para a necessidade de calagem. Divide-se em necessidade de gessagem (NG) e quantidade de gesso a ser aplicada (QG).
NG = 0,30 x NC, onde:
NG = Necessidade de gesso, em t/ha.
NC = Necessidade de calcário, em t/ha (calculada para a camada que se deseja corrigir com gesso, não para a camada de 0 a- 20 cm. Essa NC é utilizada apenas para o cálculo da NG, não sendo aplicada ao solo).
QG = NG x (SC/100) x (PF/20), onde:
QG = Quantidade de gesso a ser aplicada para corrigir determinada camada de solo, em t/ha.
NG = Necessidade de gesso, em t/ha.
SC = Superfície coberta pelo gesso, em%. (para área total utiliza-se SC = 100%; para aplicação em faixas utiliza-se SC = 75%).
PF = Espessura da camada onde o gesso deverá agir, em cm. (para a camada de 20 a 40 cm utiliza-se PF = 20 cm; já para a camada de 30 a 60 cm utiliza-se PF = 30 cm).
O gesso pode ser aplicado junto com o calcário, mas é preferível que seja usado após a aplicação deste. Aplica-se a quantidade de calcário calculada para a camada de 0 a 20 cm e a quantidade de gesso calculada para a camada sub-superficial. O gesso pode ser aplicado em cobertura, sem necessidade de incorporação, pois é muito móvel no solo. Se não houver necessidade de calagem para a camada superficial, pode-se aplicar apenas o gesso, mas esta condição deve ser revista anualmente.
A aplicação de gesso, mal calculada e sem o prévio conhecimento sobre se há necessidade de calagem para a camada superficial, é prejudicial ao equilíbrio químico do solo e à nutrição balanceada do cafeeiro. No entanto, quando bem prescrita e calculada, a aplicação de gesso é fundamental para que seja alcançada elevada produtividade na cafeicultura.
Doutor em Solos e Nutrição de Plantas na Universidade Federal de Viçosa-MG e pesquisador em Manejo de Culturas no INCAPER.
Quando o corretivo não é bem utilizado
Por Wignez Henrique1
Já dizia o antigo ditado que "cavalo dado não se olha os dentes", mas na verdade há de se tomar cuidado com o presente, uma vez que a manutenção do cavalo pode custar muito caro.
O fato ocorreu foi em uma propriedade em Tanabi, noroeste do Estado de São Paulo, que apresentava solo de baixa qualidade, desgastado, com pasto degradado. Há cerca de 10 anos atrás, foi feita a implantação de novas pastagens com Panicum maximum eBrachiaria decumbens cv. Marandu. Nessa implantação e no decorrer dos anos seguintes foram feitas correções do solo e adubações relativamente altas de nitrogênio, fósforo e potássio. As pastagens foram utilizadas para cria e engorda de bovinos de corte. O solo chegou a 70% de saturação de bases e permaneceu nesse patamar por alguns anos, essa e as outras características do solo em maio de 2003 podem ser vistas no quadro abaixo.
Nos meados do ano passado, algumas empresas ofereceram gratuitamente o gesso (sulfato de cálcio), e recomendaram a adição desse corretivo nas pastagens da região. O único gasto seria com o frete do carregamento do gesso até a propriedade. A recomendação era que fosse utilizado o gesso como fonte de enxofre, uma vez que contém cerca de 15% desse elemento. Assim, o dono dessa propriedade distribui cerca de 450 kg de gesso/ha, em meados de 2003.
Também no quadro abaixo é mostrada a análise do mesmo solo realizada em maio de 2004. Vale lembrar que ambas as análises foram realizadas em amostras retiradas na camada de 0 a 20 cm de profundidade do solo, e que ambas foram realizadas no mesmo laboratório.
Quadro 1 - Análises de solo de uma mesma área no município de Tanabi, SP, realizadas em anos subseqüentes pelo mesmo laboratório

Ocorreu uma verdadeira "lixiviação" de alguns nutrientes e a adsorção de outros, tornando-os indisponíveis para as plantas. Ou seja, o solo que tinha excelentes características, principalmente ao considerarmos a região e sendo área de pasto, tornou-se um solo de média a baixa fertilidade, e o pior, em prazo muito curto.
É ainda necessário tomar-se as devidas precauções na recomendação da aplicação do gesso, precauções essas já publicadas há muitos anos atrás e que englobam medidas anteriores à recomendação da aplicação do gesso agrícola:
- fazer amostragens e análises do solo tanto da camada de 0-20 cm, como nas camadas subsuperficiais, 20-40 e 40-60 cm, prestando-se atenção nos possíveis desbalanços de magnésio e potássio;
- observar se existem sintomas visuais de deficiência nas plantas forrageiras (em gramíneas, o sintoma principal é o amarelecimento das folhas mais novas, precedendo o amarelecimento das folhas mais velhas);
- e também realizar análises foliares.
A forma ainda mais "segura" de se corrigir a deficiência de enxofre nas pastagens é distribuindo adubos nitrogenados e fosfatados que contenham esse elemento. Além disso, parte do enxofre é reposta naturalmente por gases da atmosfera.
O uso do gesso agrícola, como corretivo, não dispensa o uso do calcário, talvez até exija essa associação. Além disso, doses máximas recomendadas são de 300 kg/ha, segundo a literatura.
Como fonte de enxofre, deve-se recomendar com cautela esse corretivo, talvez até utilizando-se doses menores e distribuídas no decorrer de alguns anos, e principalmente, após a serem detectadas deficiências desse nutriente nas plantas.
Já dizia o antigo ditado que "cavalo dado não se olha os dentes", mas na verdade há de se tomar cuidado com o presente, uma vez que a manutenção do cavalo pode custar muito caro.
O fato ocorreu foi em uma propriedade em Tanabi, noroeste do Estado de São Paulo, que apresentava solo de baixa qualidade, desgastado, com pasto degradado. Há cerca de 10 anos atrás, foi feita a implantação de novas pastagens com Panicum maximum eBrachiaria decumbens cv. Marandu. Nessa implantação e no decorrer dos anos seguintes foram feitas correções do solo e adubações relativamente altas de nitrogênio, fósforo e potássio. As pastagens foram utilizadas para cria e engorda de bovinos de corte. O solo chegou a 70% de saturação de bases e permaneceu nesse patamar por alguns anos, essa e as outras características do solo em maio de 2003 podem ser vistas no quadro abaixo.
Nos meados do ano passado, algumas empresas ofereceram gratuitamente o gesso (sulfato de cálcio), e recomendaram a adição desse corretivo nas pastagens da região. O único gasto seria com o frete do carregamento do gesso até a propriedade. A recomendação era que fosse utilizado o gesso como fonte de enxofre, uma vez que contém cerca de 15% desse elemento. Assim, o dono dessa propriedade distribui cerca de 450 kg de gesso/ha, em meados de 2003.
Também no quadro abaixo é mostrada a análise do mesmo solo realizada em maio de 2004. Vale lembrar que ambas as análises foram realizadas em amostras retiradas na camada de 0 a 20 cm de profundidade do solo, e que ambas foram realizadas no mesmo laboratório.
Quadro 1 - Análises de solo de uma mesma área no município de Tanabi, SP, realizadas em anos subseqüentes pelo mesmo laboratório
Ocorreu uma verdadeira "lixiviação" de alguns nutrientes e a adsorção de outros, tornando-os indisponíveis para as plantas. Ou seja, o solo que tinha excelentes características, principalmente ao considerarmos a região e sendo área de pasto, tornou-se um solo de média a baixa fertilidade, e o pior, em prazo muito curto.
É ainda necessário tomar-se as devidas precauções na recomendação da aplicação do gesso, precauções essas já publicadas há muitos anos atrás e que englobam medidas anteriores à recomendação da aplicação do gesso agrícola:
- fazer amostragens e análises do solo tanto da camada de 0-20 cm, como nas camadas subsuperficiais, 20-40 e 40-60 cm, prestando-se atenção nos possíveis desbalanços de magnésio e potássio;
- observar se existem sintomas visuais de deficiência nas plantas forrageiras (em gramíneas, o sintoma principal é o amarelecimento das folhas mais novas, precedendo o amarelecimento das folhas mais velhas);
- e também realizar análises foliares.
A forma ainda mais "segura" de se corrigir a deficiência de enxofre nas pastagens é distribuindo adubos nitrogenados e fosfatados que contenham esse elemento. Além disso, parte do enxofre é reposta naturalmente por gases da atmosfera.
O uso do gesso agrícola, como corretivo, não dispensa o uso do calcário, talvez até exija essa associação. Além disso, doses máximas recomendadas são de 300 kg/ha, segundo a literatura.
Como fonte de enxofre, deve-se recomendar com cautela esse corretivo, talvez até utilizando-se doses menores e distribuídas no decorrer de alguns anos, e principalmente, após a serem detectadas deficiências desse nutriente nas plantas.
domingo, 1 de maio de 2011
Como usar gesso para corrigir a deficiência de cálcio nos solos do Cerrado
Orientações para adoção adequada da técnica que favorece o aprofundamento das raízes das plantas
É cada vez maior a adesão dos agricultores ao uso do gesso agrícola (sulfato de cálcio) em suas propriedades. Na região do Cerrado, que apresenta cerca de 80% de sua área com algum problema de acidez, como excesso de alumínio associado a baixos teores de cálcio, a utilização do gesso é responsável pela melhora significativa do ambiente radicular em profundidade para as plantas. Durante o Prosa Rural, o pesquisador da Embrapa Cerrados (Planaltina/ DF), Djalma Martinhão, traz orientações para a adoção dessa prática.
Ao contrário do que muitos acreditam, em solos ácidos, a deficiência de cálcio não ocorre apenas na camada superficial. O problema é constatado também abaixo dos primeiros 20 centímetros do solo e, nesses casos, a calagem não corrige de forma satisfatória a acidez e a deficiência de cálcio. A aplicação do gesso supre o solo com cálcio e reduz a toxidez do alumínio até as camadas mais profundas. Dessa forma, ela favorece o aprofundamento das raízes e permite que as plantas superem o veranico e utilizem com mais eficiência a água e os nutrientes do solo. A profundidade do solo que a gessagem é capaz de corrigir depende da cultura. Para as anuais, a recomendação é que a gessagem atinja a profundidade de 60 centímetros e para as culturas perenes, 80 centímetros.
O pesquisador Djalma Martinhão, alerta, no entanto, para um erro comum: utilizar o gesso sem saber primeiro se é mesmo necessário. “Para fazer essa avaliação é importante que o agricultor conte com o auxílio de um profissional capacitado para analisar o solo e, assim, verificar se a área apresenta deficiência de cálcio e excesso de alumínio em profundidade”, recomenda.
A amostragem do solo para as análises químicas deverá ser feita na profundidade de 40 a 60cm para culturas anuais e, no caso das culturas perenes, deve-se recolher amostras de duas profundidades distintas: da camada de 20 a 40cm e também de 60 a 80 cm. Nesses casos, é recomendado que o teor de argila seja determinado. A saturação de alumínio e o teor de cálcio apresentados pelo resultado da análise é que vão indicar se a aplicação do gesso deve ou não ser adotada.
A tecnologia do uso do gesso na região do Cerrado foi lançada em 1995 e a Embrapa Cerrados foi quem primeiro recomendou seu uso. Nessa época, eram vendidas cerca de 200 mil toneladas de gesso por ano. “Hoje, já atingimos três milhões de toneladas por ano”, informa Martinhão. O sucesso dessa tecnologia, segundo o pesquisador, se deve ao fato de o produto reduzir as perdas em produtividade das plantas quando ocorrem os veranicos e ao aumento da eficiência de uso dos fertilizantes adicionados ao solo.
A gessagem é uma tecnologia relativamente barata - uma tonelada de gesso está em torno de R$ 30,00. Dependendo do local da propriedade, o maior custo é o do frete, pois para suprir a região do Cerrado encontra-se gesso em Uberaba (MG) e Catalão (GO). Também é possível comprar o gesso nos estados da região nordeste do país.
Segundo o pesquisador, para cultura do café a relação custo-benefício desse subproduto é muito alta; ficando em torno de R$ 25,00 de ganho em cada real investido no uso do gesso em um período de oito anos. Para culturas como soja e milho, o retorno da aplicação em gesso é de 15 a 25 para um, ou seja, para cada real aplicado o retorno é de R$ 15,00 a R$ 25,00.
Saiba mais sobre este assunto ouvindo o Prosa Rural, o programa de rádio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que conta com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Responsável: Juliana Caldas (4861/14//90/DF)
Email: juliana.caldas@cpac.embrapa.br
Unidade: Embrapa Cerrados
É cada vez maior a adesão dos agricultores ao uso do gesso agrícola (sulfato de cálcio) em suas propriedades. Na região do Cerrado, que apresenta cerca de 80% de sua área com algum problema de acidez, como excesso de alumínio associado a baixos teores de cálcio, a utilização do gesso é responsável pela melhora significativa do ambiente radicular em profundidade para as plantas. Durante o Prosa Rural, o pesquisador da Embrapa Cerrados (Planaltina/ DF), Djalma Martinhão, traz orientações para a adoção dessa prática.
Ao contrário do que muitos acreditam, em solos ácidos, a deficiência de cálcio não ocorre apenas na camada superficial. O problema é constatado também abaixo dos primeiros 20 centímetros do solo e, nesses casos, a calagem não corrige de forma satisfatória a acidez e a deficiência de cálcio. A aplicação do gesso supre o solo com cálcio e reduz a toxidez do alumínio até as camadas mais profundas. Dessa forma, ela favorece o aprofundamento das raízes e permite que as plantas superem o veranico e utilizem com mais eficiência a água e os nutrientes do solo. A profundidade do solo que a gessagem é capaz de corrigir depende da cultura. Para as anuais, a recomendação é que a gessagem atinja a profundidade de 60 centímetros e para as culturas perenes, 80 centímetros.
O pesquisador Djalma Martinhão, alerta, no entanto, para um erro comum: utilizar o gesso sem saber primeiro se é mesmo necessário. “Para fazer essa avaliação é importante que o agricultor conte com o auxílio de um profissional capacitado para analisar o solo e, assim, verificar se a área apresenta deficiência de cálcio e excesso de alumínio em profundidade”, recomenda.
A amostragem do solo para as análises químicas deverá ser feita na profundidade de 40 a 60cm para culturas anuais e, no caso das culturas perenes, deve-se recolher amostras de duas profundidades distintas: da camada de 20 a 40cm e também de 60 a 80 cm. Nesses casos, é recomendado que o teor de argila seja determinado. A saturação de alumínio e o teor de cálcio apresentados pelo resultado da análise é que vão indicar se a aplicação do gesso deve ou não ser adotada.
A tecnologia do uso do gesso na região do Cerrado foi lançada em 1995 e a Embrapa Cerrados foi quem primeiro recomendou seu uso. Nessa época, eram vendidas cerca de 200 mil toneladas de gesso por ano. “Hoje, já atingimos três milhões de toneladas por ano”, informa Martinhão. O sucesso dessa tecnologia, segundo o pesquisador, se deve ao fato de o produto reduzir as perdas em produtividade das plantas quando ocorrem os veranicos e ao aumento da eficiência de uso dos fertilizantes adicionados ao solo.
A gessagem é uma tecnologia relativamente barata - uma tonelada de gesso está em torno de R$ 30,00. Dependendo do local da propriedade, o maior custo é o do frete, pois para suprir a região do Cerrado encontra-se gesso em Uberaba (MG) e Catalão (GO). Também é possível comprar o gesso nos estados da região nordeste do país.
Segundo o pesquisador, para cultura do café a relação custo-benefício desse subproduto é muito alta; ficando em torno de R$ 25,00 de ganho em cada real investido no uso do gesso em um período de oito anos. Para culturas como soja e milho, o retorno da aplicação em gesso é de 15 a 25 para um, ou seja, para cada real aplicado o retorno é de R$ 15,00 a R$ 25,00.
Saiba mais sobre este assunto ouvindo o Prosa Rural, o programa de rádio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que conta com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Responsável: Juliana Caldas (4861/14//90/DF)
Email: juliana.caldas@cpac.embrapa.br
Unidade: Embrapa Cerrados
Fonte: Embrapa Informação Tecnológica
sábado, 19 de março de 2011
RELAÇÕES ENTRE TEORES FOLIARES DE NUTRIENTES E PRODUÇÃO DO CAFEEIRO (Coffea arabica L.) SUBMETIDO A DOSES DE CALCÁRIO E GESSO 1
RESUMO - Objetivou-se neste trabalho, conduzido por 11 anos, estabelecer correlações entre teores foliares dos nutrientes com a produção do cafeeiro ‘Catuaí CH 2057-2-5-44’, submetido a doses de calcário e gesso.
Utilizou-se um delineamento em blocos casualizados com três repetições em esquema fatorial 4x3, sendo quatro doses de calcário dolomítico (0, 750, 1500 e 3000kg/ha) e três doses de gesso agrícola (0, 1290 e 2580kg/ha). Cinco anos depois da implantação do experimento, reaplicou-se metade das doses iniciais. O experimento foi conduzido de 1978 a 1989, avaliandose anualmente em dezembro/janeiro os teores foliares de nutrientes, e em julho, a produção. Os dados dos teores foliares dos nutrientes, bem como os das relações entre eles, foram correlacionados (correlação linear simples) com os dados de produção do mesmo ciclo produtivo. Os nutrientes cujos teores foliares se correlacionaram melhor com a produção, foram o Ca, o S e o P, os dois primeiros positivamente e o último negativamente. As relações entre os teores foliares dos nutrientes se correlacionaram melhor com a produção do que os seus teores isoladamente. A combinação da
maior dose de calcário com a dose intermediária de gesso foi a mais adequada.
Utilizou-se um delineamento em blocos casualizados com três repetições em esquema fatorial 4x3, sendo quatro doses de calcário dolomítico (0, 750, 1500 e 3000kg/ha) e três doses de gesso agrícola (0, 1290 e 2580kg/ha). Cinco anos depois da implantação do experimento, reaplicou-se metade das doses iniciais. O experimento foi conduzido de 1978 a 1989, avaliandose anualmente em dezembro/janeiro os teores foliares de nutrientes, e em julho, a produção. Os dados dos teores foliares dos nutrientes, bem como os das relações entre eles, foram correlacionados (correlação linear simples) com os dados de produção do mesmo ciclo produtivo. Os nutrientes cujos teores foliares se correlacionaram melhor com a produção, foram o Ca, o S e o P, os dois primeiros positivamente e o último negativamente. As relações entre os teores foliares dos nutrientes se correlacionaram melhor com a produção do que os seus teores isoladamente. A combinação da
maior dose de calcário com a dose intermediária de gesso foi a mais adequada.
Fonte: Agronelli
sexta-feira, 18 de março de 2011
Gesso agrícola e rendimento de grãos de soja na região do sudoeste de Goiás
O revolvimento de áreas em plantio direto (PD) há vários anos e o uso de gesso agrícola são práticas observadas entre os produtores na região do sudoeste de Goiás. Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar o efeito da aplicação de doses de gesso agrícola (0, 1, 2, 4 e 6 Mg ha-1) em alguns atributos químicos em profundidade no solo e no rendimento de grãos de soja em plantio direto com revolvimento (PDR) e sem revolvimento (PDS). O delineamento foi em blocos completos ao acaso, em esquema de parcelas subsubdivididas, com quatro repetições. A área vinha sendo conduzida há vários anos em PD, em um Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico textura argilosa, no sudoeste goiano, com os teores de Ca2+, Mg2+, K+, sulfato e CTC efetiva sendo determinados nas camadas de 0–5, 5–10, 10–20 e 20–40 cm. Observou-se que no PDS a maior concentração dos cátions e do sulfato ocorreu na camada de 0–5 cm, enquanto no PDR o sulfato se concentrou na de 20–40 cm. O maior rendimento de grãos de soja ocorreu no PDS, porém não houve influência das doses de gesso.
Veja o artigo na integra clicando aqui.
Autores: Lucimeire Neis, Helder Barbosa Paulino, Edicarlos Damacena de Souza, Edésio Fialho dos Reis & Flávio Araújo Pinto
Veja o artigo na integra clicando aqui.
Autores: Lucimeire Neis, Helder Barbosa Paulino, Edicarlos Damacena de Souza, Edésio Fialho dos Reis & Flávio Araújo Pinto
Fonte: Revista Brasileira de Ciência do Solo
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Necessidade de Gessagem
Os solos brasileiros, em geral, apresentam baixos teores de cálcio (Ca) e altos teores de alumínio (Al) trocável. Isto ocorre, com ênfase, nas camadas mais profundas. Desta maneira, o desenvolvimento radicular é superficial e aí concentrado. Disto ocorre que as plantas sofrem com os veranicos e a absorção de nutrientes
é limitada à área de desenvolvimento das raízes. Comparando plantas que tiveram um aporte de gesso na camada de 20-40cm e 30-60cm elas tiveram um desenvolvimento de raízes em área e em profundidade. Nas profundidades subsuperficiais a concentração de raízes chegou a 29% e nas camadas mais profundas, ainda, a concentração de raízes foi de 19 a 12%. Já as plantas que não tiveram um aporte de gesso agrícola, a concentração de raízes foi maior na camada de até 20 cm. Nas camadas mais profundas de 40-60 cm, a concentração de raízes chegou a 1%.
Benjamin Franklin foi um líder fazendeiro e tentou aumentar a produção e qualidade das plantas. Tornou-se muito conhecido, nesta área, por ter aplicado sulfato de cálcio (gesso) em uma colina perto de Filadélfia. Ele escreveu as palavras: “Esta terra foi corrigida com gesso”.
O gesso é um subproduto das indústrias de fertilizantes. Para a obtenção do ácido fosfórico, as rochas fosfatadas são atacadas pelo ácido sulfúrico e desta reação são obtidos o sulfato de cálcio (gesso) e o ácido fluorídrico. Tratando-se a rocha fosfatada com uma quantidade maior de ácido sulfúrico, obtém-se ácido fosfórico e sulfato de cálcio (gesso) sólido em suspensão. O sulfato de cálcio é separado por filtração, originando uma grande quantidade de gesso como subproduto. Por tonelada de ácido fosfórico produzida, obtém-se quase 5 (cinco) toneladas de gesso.
Como o cálcio é pouco móvel no solo e quase nenhuma mobilidade na planta, o efeito da calagem não se observa nas camadas mais profundas. Mas o nutriente cálcio é importante para a planta. No café, as raízes vão atrás do cálcio e nos locais que ele não existe não haverá crescimento das mesmas. Por outro lado, o alumínio (Al³+), que é tóxico para as plantas quando em altas concentrações, está presente nas camadas mais profundas onde o calcário não consegue atingi-las. Desta maneira, altos teores de alumínio e baixos teores de cálcio nas camadas mais profundas não favorecem o desenvolvimento radicular e, assim, as raízes não conseguem buscar água e nutrientes.
O gesso agrícola, sulfato de cálcio, contém cálcio e enxofre (S). Contém 32% de CaO e até 19% de S. Ele se dissocia em Ca²+ e SO4²-. Mas o gesso não é um corretivo para neutralizar a acidez do solo. Tão pouco tem a capacidade de elevar a “Capacidade de Troca de Cátions – CTC”. Ele é um condicionador do solo.
Os benefícios do gesso agrícola são vários. Entre eles:
1) o ânion SO4²- imprime uma maior mobilidade ao cálcio levando-o para as camadas mais profundas;
2) por sua vez, o íon sulfato se liga ao alumínio formando um sal, o sulfato de alumínio (AlSO4) , que é menos tóxico para a planta;
3) fornece cálcio e enxofre para as plantas.
Quando aplicar o gesso agrícola
O gesso deve ser aplicado quando, no mínimo, uma destas condições seja satisfeita:
a) teor de cálcio (Ca) menor ou igual a 0,4 cmolc/dm³ ou 4 mmolc/dm³. Para transformar cmolc em mmolc basta multiplicar por 10;
b) teor de alumínio (Al) maior que 0,5 cmolc/dm³ ou 5 mmolc/dm³;
c) saturação por alumínio (m%) maior que 30%. Alguns citam 20%.
O produtor agrícola pensando em aplicar gesso deve providenciar na análise do solo. Neste caso, a amostragem deve ser feita na profundidade de 20-40 cm ou 30-60 cm e não na de 0-20 cm como é feita normalmente. Lembre-se que para aplicar gesso, os resultados da análise devem ser de amostras retiradas das camadas mais profundas. Quando coletar amostras das camadas de 0-20, 20-40, 30-60 cm é preciso cuidar para não misturá-las. As amostras devem ser independentes de cada camada. Para isto, é bom ter o cuidado de não misturá-las e proceder à identificação de cada camada. Em geral, a profundidade mais usada é a camada de 20-40 cm.
Como calcular a quantidade de gesso agrícola
Existem várias fórmulas apresentadas pelos pesquisadores para calcular a necessidade de gesso. Vamos apresentá-las a seguir.
1) Necessidade de gessagem e quantidade de gesso:
MARTINS, André G. professor da UFV-MG estabelece a seguinte fórmula:
NG (kg/ha) = 0,30 x Necessidade de calcário recomendada para o solo.
IMPORTANTE: a necessidade de calcário é aquela recomendada para a camada de 20-40 cm onde vai ser aplicado o gesso. Esta fórmula tem apenas a importância de calcular a necessidade de gessagem (NG) e não a quantidade de gesso a ser aplicada no solo. Esta última vai ser definida pela fórmula abaixo:
QG (t/ha) = NG x (SC/100) x (PF/20), onde,
QG = quantidade de gesso em t/ha.
NG = necessidade de gessagem em t/ha calculada na fórmula anterior.
SC = superfície coberta pelo gesso (%). Para área total, utiliza-se SC=100% e para aplicação no café em faixas, SC=75%.
PF = espessura da camada onde o gesso deverá agir, em cm. Para camada de 20-40, PF = 20 cm. Para camada de 30-60 cm, PF=30 cm.
O gesso deve ser aplicado após o calcário. O calcário na camada de 0-20 cm e o gesso na camada de 20-40 cm ou 30-60 cm. O gesso pode ser aplicado em cobertura, pois é muito móvel. Se a camada de 0-20 cm não exige calcário, pode-se aplicar o gesso em cobertura. Não há necessidade de incorporação do gesso. Uma corrente de pesquisadores recomenda aplicar calcário e gesso juntos. Outra corrente não aconselha.
2) Outra fórmula usada no café, leva em consideração o teor de argila das camadas inferiores do solo.
NG (kg/ha) = 75 x argila (%), segundo Souza et al (1997). O gesso deve apresentar, no mínimo, 15% de enxofre (S).3)
Outras fórmulas utilizadas são:
Para culturas anuais – DG (kg/ha) = 50 x teor de argila (%) ou DG (kg/ha) = 5,0 x argila (g/kg)
Para culturas perenes – DG (kg/ha) = 75 x argila (%) ou DG (kg/ha) = 7,5 x argila (g/kg)
3) Vitti e Mazza (1998) apresentam a seguinte tabela paraquantidade aproximada de gesso levando em consideração os valores T e V do solo.
é limitada à área de desenvolvimento das raízes. Comparando plantas que tiveram um aporte de gesso na camada de 20-40cm e 30-60cm elas tiveram um desenvolvimento de raízes em área e em profundidade. Nas profundidades subsuperficiais a concentração de raízes chegou a 29% e nas camadas mais profundas, ainda, a concentração de raízes foi de 19 a 12%. Já as plantas que não tiveram um aporte de gesso agrícola, a concentração de raízes foi maior na camada de até 20 cm. Nas camadas mais profundas de 40-60 cm, a concentração de raízes chegou a 1%.Benjamin Franklin foi um líder fazendeiro e tentou aumentar a produção e qualidade das plantas. Tornou-se muito conhecido, nesta área, por ter aplicado sulfato de cálcio (gesso) em uma colina perto de Filadélfia. Ele escreveu as palavras: “Esta terra foi corrigida com gesso”.
O gesso é um subproduto das indústrias de fertilizantes. Para a obtenção do ácido fosfórico, as rochas fosfatadas são atacadas pelo ácido sulfúrico e desta reação são obtidos o sulfato de cálcio (gesso) e o ácido fluorídrico. Tratando-se a rocha fosfatada com uma quantidade maior de ácido sulfúrico, obtém-se ácido fosfórico e sulfato de cálcio (gesso) sólido em suspensão. O sulfato de cálcio é separado por filtração, originando uma grande quantidade de gesso como subproduto. Por tonelada de ácido fosfórico produzida, obtém-se quase 5 (cinco) toneladas de gesso.
Como o cálcio é pouco móvel no solo e quase nenhuma mobilidade na planta, o efeito da calagem não se observa nas camadas mais profundas. Mas o nutriente cálcio é importante para a planta. No café, as raízes vão atrás do cálcio e nos locais que ele não existe não haverá crescimento das mesmas. Por outro lado, o alumínio (Al³+), que é tóxico para as plantas quando em altas concentrações, está presente nas camadas mais profundas onde o calcário não consegue atingi-las. Desta maneira, altos teores de alumínio e baixos teores de cálcio nas camadas mais profundas não favorecem o desenvolvimento radicular e, assim, as raízes não conseguem buscar água e nutrientes.
O gesso agrícola, sulfato de cálcio, contém cálcio e enxofre (S). Contém 32% de CaO e até 19% de S. Ele se dissocia em Ca²+ e SO4²-. Mas o gesso não é um corretivo para neutralizar a acidez do solo. Tão pouco tem a capacidade de elevar a “Capacidade de Troca de Cátions – CTC”. Ele é um condicionador do solo.
Os benefícios do gesso agrícola são vários. Entre eles:
1) o ânion SO4²- imprime uma maior mobilidade ao cálcio levando-o para as camadas mais profundas;
2) por sua vez, o íon sulfato se liga ao alumínio formando um sal, o sulfato de alumínio (AlSO4) , que é menos tóxico para a planta;
3) fornece cálcio e enxofre para as plantas.
Quando aplicar o gesso agrícola
O gesso deve ser aplicado quando, no mínimo, uma destas condições seja satisfeita:
a) teor de cálcio (Ca) menor ou igual a 0,4 cmolc/dm³ ou 4 mmolc/dm³. Para transformar cmolc em mmolc basta multiplicar por 10;
b) teor de alumínio (Al) maior que 0,5 cmolc/dm³ ou 5 mmolc/dm³;
c) saturação por alumínio (m%) maior que 30%. Alguns citam 20%.
O produtor agrícola pensando em aplicar gesso deve providenciar na análise do solo. Neste caso, a amostragem deve ser feita na profundidade de 20-40 cm ou 30-60 cm e não na de 0-20 cm como é feita normalmente. Lembre-se que para aplicar gesso, os resultados da análise devem ser de amostras retiradas das camadas mais profundas. Quando coletar amostras das camadas de 0-20, 20-40, 30-60 cm é preciso cuidar para não misturá-las. As amostras devem ser independentes de cada camada. Para isto, é bom ter o cuidado de não misturá-las e proceder à identificação de cada camada. Em geral, a profundidade mais usada é a camada de 20-40 cm.
Como calcular a quantidade de gesso agrícola
Existem várias fórmulas apresentadas pelos pesquisadores para calcular a necessidade de gesso. Vamos apresentá-las a seguir.
1) Necessidade de gessagem e quantidade de gesso:
MARTINS, André G. professor da UFV-MG estabelece a seguinte fórmula:
NG (kg/ha) = 0,30 x Necessidade de calcário recomendada para o solo.
IMPORTANTE: a necessidade de calcário é aquela recomendada para a camada de 20-40 cm onde vai ser aplicado o gesso. Esta fórmula tem apenas a importância de calcular a necessidade de gessagem (NG) e não a quantidade de gesso a ser aplicada no solo. Esta última vai ser definida pela fórmula abaixo:
QG (t/ha) = NG x (SC/100) x (PF/20), onde,
QG = quantidade de gesso em t/ha.
NG = necessidade de gessagem em t/ha calculada na fórmula anterior.
SC = superfície coberta pelo gesso (%). Para área total, utiliza-se SC=100% e para aplicação no café em faixas, SC=75%.
PF = espessura da camada onde o gesso deverá agir, em cm. Para camada de 20-40, PF = 20 cm. Para camada de 30-60 cm, PF=30 cm.
O gesso deve ser aplicado após o calcário. O calcário na camada de 0-20 cm e o gesso na camada de 20-40 cm ou 30-60 cm. O gesso pode ser aplicado em cobertura, pois é muito móvel. Se a camada de 0-20 cm não exige calcário, pode-se aplicar o gesso em cobertura. Não há necessidade de incorporação do gesso. Uma corrente de pesquisadores recomenda aplicar calcário e gesso juntos. Outra corrente não aconselha.
2) Outra fórmula usada no café, leva em consideração o teor de argila das camadas inferiores do solo.
NG (kg/ha) = 75 x argila (%), segundo Souza et al (1997). O gesso deve apresentar, no mínimo, 15% de enxofre (S).3)
Outras fórmulas utilizadas são:
Para culturas anuais – DG (kg/ha) = 50 x teor de argila (%) ou DG (kg/ha) = 5,0 x argila (g/kg)
Para culturas perenes – DG (kg/ha) = 75 x argila (%) ou DG (kg/ha) = 7,5 x argila (g/kg)
3) Vitti e Mazza (1998) apresentam a seguinte tabela paraquantidade aproximada de gesso levando em consideração os valores T e V do solo.

Quando aplicar
O bom é no período chuvoso, pois facilita que o gesso se dissolva e atinja as camadas abaixo dos primeiros 20 cm. É nestas camadas profundas que irá propiciar o maior desenvolvimento radicular, como no cafeeiro, e reduzir a toxidez do alumínio. Quando há necessidade de se aplicar o gesso a lanço ou incorporação de maneira imediata, pode-se lançar mão da irrigação.
No café, o gesso proporciona um aumento de produção de sacas de café beneficiado que compensa o custo de aquisição e de aplicação. São necessárias de 3 a 4 t/ha. O efeito residual do gesso é grande e na
dosagem de 4 t/ha atinge até 10 anos. Mas o importante é observar que o gesso deve ser aplicado conforme o recomendado pela análise do solo. Alguns cafeicultores insistem em aplicar o gesso agrícola em altas dosagens sem fazer a análise do solo. Aqueles que aplicam o gesso sem levar em conta a recomendação podem obter aumentos de produções até um certo ponto. À medida que se aumenta a dosagem, os rendimentos vão aumentando, mas não de maneira proporcional, até um momento que eles não compensam os gastos com aquisição e aplicação do produto. Os rendimentos podem até diminuir. Isto é ocasionado pelo desequilíbrio de cátions no solo. Doses elevadas de gesso ocasionam perdas de potássio (K) e magnésio (Mg) por lixiviação.
Outras aplicações do gesso agrícola
O gesso agrícola pode ser usado em solos sódicos, pois o cálcio substitui o sódio (Na) no complexo de troca formando o sulfato de sódio que é lixiviado. O cálcio é mais fortemente retido pelo solo do que o sódio.
O gesso pode ser usado, também, no processo de compostagem para reduzir as perdas de nitrogênio (N).
Um solo arenoso, com baixa CTC e pequena capacidade de adsorver sulfato, a movimentação de bases seria maior que aquela para um solo argiloso com alta CTC e alta adsorção de sulfato. É neste tipo de solo, onde o potencial de movimentação de bases é elevado, que o produtor deve ter o cuidado com a quantidade de gesso aplicado para evitar uma movimentação além das camadas exploradas pelo sistema radicular. Uma amostragem de solo deve ser feita periodicamente para acompanhar a movimentação de bases para evitar uma drástica movimentação para camadas mais profundas longe da área das raízes.
O gesso é uma fonte de enxofre (S). O uso de fertilizantes concentrados é uma das causas para o aparecimento d
e deficiências de S. Na produção de fertilizantes concentrados, com altos teores de N, P e K, utilizam-se, basicamente, matérias-primas que possuem pouco ou nenhum S. Outra causa é o baixo consumo de fertilizantes simples, como os sulfatos de amônio e de potássio, os quais contêm alto teor de enxofre.
O aumento da produtividade das culturas extrai nutr
ientes do solo e que não são repostos na sua totalidade ou pelos cultivos sucessivos sem reposição do que foi exportado.
O manejo inadequado do solo ocasiona uma diminuição no teor de matéria orgânica. Os solos com bom teor de matéria orgânica apresentam bons índices de enxofre.
As leguminosas têm uma exigência de 40 kg/ha de S, enquanto as gramíneas pedem 15-30 kg/ha de S. As espécies das famílias das crucíferas são as mais exigentes chegando a 80 kg/ha de S.
Para corrigir as deficiências de S, são recomendados de 100 a 250 kg/ha de gesso agrícola.
O bom é no período chuvoso, pois facilita que o gesso se dissolva e atinja as camadas abaixo dos primeiros 20 cm. É nestas camadas profundas que irá propiciar o maior desenvolvimento radicular, como no cafeeiro, e reduzir a toxidez do alumínio. Quando há necessidade de se aplicar o gesso a lanço ou incorporação de maneira imediata, pode-se lançar mão da irrigação.
No café, o gesso proporciona um aumento de produção de sacas de café beneficiado que compensa o custo de aquisição e de aplicação. São necessárias de 3 a 4 t/ha. O efeito residual do gesso é grande e na
dosagem de 4 t/ha atinge até 10 anos. Mas o importante é observar que o gesso deve ser aplicado conforme o recomendado pela análise do solo. Alguns cafeicultores insistem em aplicar o gesso agrícola em altas dosagens sem fazer a análise do solo. Aqueles que aplicam o gesso sem levar em conta a recomendação podem obter aumentos de produções até um certo ponto. À medida que se aumenta a dosagem, os rendimentos vão aumentando, mas não de maneira proporcional, até um momento que eles não compensam os gastos com aquisição e aplicação do produto. Os rendimentos podem até diminuir. Isto é ocasionado pelo desequilíbrio de cátions no solo. Doses elevadas de gesso ocasionam perdas de potássio (K) e magnésio (Mg) por lixiviação.Outras aplicações do gesso agrícola
O gesso agrícola pode ser usado em solos sódicos, pois o cálcio substitui o sódio (Na) no complexo de troca formando o sulfato de sódio que é lixiviado. O cálcio é mais fortemente retido pelo solo do que o sódio.
O gesso pode ser usado, também, no processo de compostagem para reduzir as perdas de nitrogênio (N).
Um solo arenoso, com baixa CTC e pequena capacidade de adsorver sulfato, a movimentação de bases seria maior que aquela para um solo argiloso com alta CTC e alta adsorção de sulfato. É neste tipo de solo, onde o potencial de movimentação de bases é elevado, que o produtor deve ter o cuidado com a quantidade de gesso aplicado para evitar uma movimentação além das camadas exploradas pelo sistema radicular. Uma amostragem de solo deve ser feita periodicamente para acompanhar a movimentação de bases para evitar uma drástica movimentação para camadas mais profundas longe da área das raízes.
O gesso é uma fonte de enxofre (S). O uso de fertilizantes concentrados é uma das causas para o aparecimento d
e deficiências de S. Na produção de fertilizantes concentrados, com altos teores de N, P e K, utilizam-se, basicamente, matérias-primas que possuem pouco ou nenhum S. Outra causa é o baixo consumo de fertilizantes simples, como os sulfatos de amônio e de potássio, os quais contêm alto teor de enxofre.O aumento da produtividade das culturas extrai nutr
ientes do solo e que não são repostos na sua totalidade ou pelos cultivos sucessivos sem reposição do que foi exportado.O manejo inadequado do solo ocasiona uma diminuição no teor de matéria orgânica. Os solos com bom teor de matéria orgânica apresentam bons índices de enxofre.
As leguminosas têm uma exigência de 40 kg/ha de S, enquanto as gramíneas pedem 15-30 kg/ha de S. As espécies das famílias das crucíferas são as mais exigentes chegando a 80 kg/ha de S.
Para corrigir as deficiências de S, são recomendados de 100 a 250 kg/ha de gesso agrícola.
Fonte: Gastão Ney Monte
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